Apesar do discurso oficial do Governo do Estado sobre o fim do crime organizado e ser o Acre o melhor lugar do mundo para se viver, a realidade das ruas é totalmente diferente. Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que na última década estudada (2006-2016) o número de homicídios no Estado praticamente dobrou.

Apesar da estatística revelar um crescimento nos assassinatos, os dados não englobam a carnificina que se instalou no Acre a partir de 2017, quando as mortes violentas ultrapassaram os limites anteriores. Da mesma forma, o período de tempo não inclui os primeiros meses de 2018, ainda mais violentos que o mesmo período do ano anterior.

Acre é o 6° Estado mais violento

Se até pouco tempo o Acre era considerado tranquilo, os últimos anos viram uma explosão da violência, notadamente com a disputa entre as duas facções criminosas predominantes. Depois de dominar e dividir os presídios do Estado, agora a guerra toma as ruas do Estado.

Conforme revela o estudo, pela primeira vez na história, a taxa de homicídio no Brasil ultrapassou o patamar de trinta mortes por 100 mil habitantes. Considerando a década 2006-2016, o Acre ocupa o 6º lugar e com cerca de 50% mais assassinatos que a média nacional, com 44,4 mortes a cada 100 mil pessoas e um avanço de 93,2% na década estudada.

Violência, ignorância e pobreza juntas

O Atlas da Violência 2018 conclui que há uma correlação entre as condições educacionais, de oportunidades laborais e de vulnerabilidade econômica e a prevalência de mortes violentas.

Para isso, analisou indicadores de educação infanto-juvenil, pobreza, gravidez na adolescência, habitação, mercado de trabalho e vulnerabilidade juvenil.

Os municípios com menor acesso à educação, com maior população em situação de pobreza e maiores taxas de desocupação apresentam maiores taxas de mortalidade violenta.

Política enviesada, resultado ruim

O resultado da pesquisa vai de encontro ao discurso oficial do governo do Estado, o qual afirma estar o Acre no rumo certo e à caminho do desenvolvimento. Afinal, basta uma simples olhada para ver o perfil socioeconômico dos mortos.

Enquanto a violência avança e já atinge o Estado todo, com chacinas em cidades da fronteira, o governo do Estado fecha os olhos para o clima de guerra existente. Mesmo com o registro de mortes de vários inocentes, inclusive crianças.

Polícia inoperante

Em um documento enviado pelo titular da 12ª Promotoria Criminal de Rio Branco (Ofício n.° 0017/2018-12ªPJCrim) foi revelada a inoperância da Polícia Civil em investigar os mais de 400 homicídios ocorridos na capital acreana nos últimos tempos e dos quais a maioria sequer teve os inquéritos com o devido andamento.

Em entrevista na manhã de terça feira (3) a um canal de TV no Acre, o secretário de Polícia Civil, Flávio Portela, limitou-se a dizer que os envolvidos, mortos ou feridos, já tinham passagem pela polícia. “Não morreu ou foi ferido nenhum inocente. Todos os envolvidos tinham algum histórico seja por tráfico de drogas, homicídios ou ligados a facções do crime”, disse o secretário.

Ou seja, o secretário apenas confirmou as constatações do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). Enquanto isso, a população vê estarrecida cada vez mais bairros da cidade serem dominados pelo crime organizado e a guerra existente entre as facções criminosas.