dólar opera em alta frente ao real nesta sexta-feira (6), com os mercados atentos aos desdobramentos da determinação do juiz Sérgio Moro de prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do petista pediu na noite de quinta-feira (5) novo habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar a prisão, que deve ser efetivada até as 17h desta sexta.

Por volta de 12h20, a moeda norte-americana subia 0,98%, vendida a R$ 3,3742.

O dólar também acompanha a trajetória da divisa norte-americana ante moedas emergentes no exterior após novas ameaças de tarifas do presidente Donald Trump contra a China. Na véspera, o governo dos EUA anunciou que estuda impor US$ 100 bilhões em tarifas sobre a China, adicionais aos US$ 50 bilhões já anunciados a centenas de produtos chineses após retaliação de Pequim.

O mercado reage ainda aos números do relatório de empregos dos Estados Unidos, que mostra criação de 103 mil vagas, abaixo das expectativas de 178 mil novos postos de trabalho. Sem grande tração da atividade, o aperto monetário no país ainda tende a ser gradual, o que inibe a alta do dólar.

Por outro lado, podem ser vistos sinais de inflação no mercado de trabalho, que abre espaço para o Federal Reserve (Fed, banco central americano) continuar com seus planos de altas de juros. O ganho médio da renda salarial subiu 2,7% em 12 meses até março, acima dos 2,6% no acumulado no mês anterior.

Cenário eleitoral preocupa

De acordo com o Valor On Line, a postura mais defensiva do mercado prevalece, diante da percepção de que o cenário eleitoral a partir de agora trará mais preocupação do que alento.

Algumas análises indicam que, com Lula preso ou não, o próximo foco de preocupação do mercado seria o vigor – ou falta de – de candidaturas de centro-direita.

“Mais fundamentalmente, quando a poeira baixar, investidores provavelmente vão se concentrar mais no fato de que os candidatos pró-mercado ainda patinam nas pesquisas”, diz em nota Edward Glossop, economista para a América Latina da Capital Economics. Segundo ele, o resultado disso é que a perspectiva para a reforma fiscal parece “sombria”.

Estrategistas do banco Brown Brothers Harriman consideram que o principal determinante para o cenário eleitoral a partir de agora é como o apoio do petista será redistribuído entre os demais candidatos de esquerda.

“Os mercados estão subestimando o risco político no Brasil”, resumem os profissionais, que veem o dólar em patamares acima de R$ 3,40 no curto prazo.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, diz que o risco agora está mais voltado para a fragmentação da corrida eleitoral, uma vez que diminuíram as chances de Lula concorrer ao pleito. “À medida que você deixa de polarizar, cria-se espaço para ?outsiders?”, afirma.

Por ora, ele diz que o cenário-base ainda é de vitória de um candidato de centro-direita. Ainda assim, a estimativa do economista é de dólar mais próximo de R$ 3,36 ao fim do ano. “Se esse cenário não se concretizar e um ?outsider? vencer, não vejo ataque contra o câmbio, mas certamente o patamar de equilíbrio estará mais para R$ 3,50.”

Véspera

Na véspera, a moeda dos EUA teve leva alta de 0,03% frente ao real, a R$ 3,3414, após ter recuado abaixo de R$ 3,30 na abertura do dia, renovando a maior cotação desde 18 de maio de 2017 (R$ 3,3836).

De acordo com a Reuters, o Banco Central brasileiro não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio, por ora. Em maio, vencem US$ 2,565 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.