A disputa por cargos junto ao Poder Público acreano não parece ter mais o mesmo apelo, ao menos em relação aos cargos cujo acesso deve se dar na forma de concurso público. Em seis decretos publicados nesta segunda-feira (26), o governador do Estado cancelou 105 nomeações para cargos de nível médio e superior em duas secretarias. Questionada sobre os fatos, a Assecom não se manifestou.

Nos decretos de cancelamento para a Secretaria de Saúde do Estado do Acre (Sesacre) e Secretaria de Educação e Esportes (SEE) foi o mesmo: “após as nomeações para os cargos …, a[os] candidata[s] que menciona não tomou[aram] posse no prazo estabelecido”.

Médicos e professores desistem

Nem mesmo os cargos mais qualificados, como médicos, psicólogos e professores parecem estar atraindo mais os profissionais. Neste caso, o déficit fica maior nas cidades do interior, em uma razão proporcional à distância da capital, embora esta também tenha sua cota de defecções.

As desistências também se espalham por todo o Estado, indo de Porto Acre até Brasileia, desta a Assis Brasil (1%) e chegando a Cruzeiro do Sul (8%), voltando por Sena Madureira (9%) e Bujari (1%) e, é claro, passando por Rio Branco (36%).

Administrativos da SEE são maioria

Em geral, os cargos de nível médio foram os com os maiores números de desistências, com 75 casos (71,4%). Para os cargos de nível superior foram 30 desistências (28,6%).

Na SEE, 71 pessoas não quiseram assumir os cargos para os quais foram aprovados em concurso, dos quais 66 eram cargos administrativos e cinco eram de professores.

Na Sesacre os cargos de nível médio com desistência por parte dos aprovados foram nove. Os cargos de nível superior cujos selecionados desistiram de tomar posse podem ser distribuídos em três grupos: administrativos (5); aplicado e complementar a Saúde (9) e médicos (11).

Sem explicações oficiais

Como os decretos governamentais abrangiam duas secretarias e cargos diversos de nível superior e médio, com vagas espalhadas por várias cidades do Acre, foi encaminhado um pedido de informações para a Assessoria de Comunicação do Governo do Estado (Assecom),

Até fechamento desta edição não houve retorno do pedido de informações, o que impediu de ser ter uma ideia de como pretende o governo atuar para evitar estes problemas, cujas nomeações findam por dificultar a prestação de serviços para a sociedade, notadamente com a falta de médicos, psicólogos, enfermeiros e professores.