Esta semana, em Santo André, São Paulo, o conhecimento e a ciência se tornam o maior aliado da saúde pública do Acre. Em uma iniciativa do governador Tião Viana, há dois anos o governo do Estado, a Universidade Federal do Acre (Ufac) e a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) iniciaram a parceria para a realização de 40 pesquisas, entre mestrado e doutorado, sobre saúde pública.

As primeiras defesas começaram nesta segunda-feira, 19, e seguem até a sexta-feira, 23, ocorrendo assim a Semana de Integração Acre-São Paulo. Ocupando a banca como professor doutor, Tião Viana está dando sua contribuição e orientação em três bancas, pontuando assim a importância de cada trabalho para a qualificação das políticas públicas na saúde do estado.

Em um cenário pouco animador para a ciência e tecnologia no Brasil, com o governo Federal botando o menor orçamento da história para o setor, sendo o deste ano cerca de 19% menor que 2017, o governo do Acre ousa em dar a oportunidade para 40 pesquisadores darem voz ao conhecimento.

Estamos vivendo um momento de ascensão do conhecimento do Acre, é uma honra estar aqui. É uma página bonita da saúde pública da Amazônia que se confirma nesta etapa, porque estamos atendendo as reivindicações da sociedade. Faz melhor quem se dedica mais”, declarou o governador. Os primeiros temas discutidos foram a vacinação contra o vírus HPV e reincidência de hanseníase, na terça-feira, Tião Viana participa da defesa de dissertação sobre os custos da judicialização na saúde.

Diretor da FMABC e secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip, esteve presente na abertura da solenidade e falou da honra da instituição realizar esse trabalho conjunto. “Essa parceria vai se expandir e muito, é uma troca de conhecimento absolutamente fundamental. É desta forma que entendemos o Brasil, associativo, futurista, procurando a solução para seus problemas e melhorando a formação com a academia. Hoje é um momento de júbilo para a Faculdade de Medicina do ABC”, afirmou.

O projeto do governo detém investimentos da ordem de mais de R$ 1,3 milhão e representa, além da qualificação para as políticas públicas do estado, um passo importante para a instauração do curso de Medicina na região do Juruá, no Acre. A ação é executada por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), com o intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect), em parceria com a FMABC e a Ufac. Foram selecionados 40 médicos e outros profissionais da saúde – 30 firam o mestrado e dez, o doutorado.

Durante a gestão de Tião Viana, o Acre já ofereceu a oportunidade para mais de 1000 profissionais se qualificarem na área da saúde. Nesse período, o governo já realizou parcerias com as universidades de São Paulo (USP), Federal da Bahia (UFBA), de Brasília (UnB), Federal de Santa Catarina e Federal do ParÁ (UFPA). Recentemente, o governo começou uma nova parceria com a Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, para a área do Direito.

Os dois primeiros trabalhos apresentados hoje buscam soluções para problemas vividos diariamente na saúde do estado. Primeiramente, o médico e, agora mestre, Júlio Eduardo Pereira apresentou a pesquisa sobre o conhecimento e aceitabilidade da vacina contra o HPV entre os profissionais.

“Conseguir o título de mestre é o começo da retribuição ao que o governo do Acre investe em seus servidores, oferecer uma graduação stricto sensu para que profissionais pudessem evoluir na sua função de saúde. Assim, se pode retribuir para a sociedade. Eu acredito que a Universidade Federal do Acre, no Campus Floresta em Cruzeiro do Sul, possa ter em breve o curso de medicina também, nós capacitados temos o dever de ir lá contribuir”, declarou Júlio, em agradecimento a todos responsáveis pela iniciativa.

Demonstrando o tamanho da necessidade de estudos nessa área, o governador Tião Viana falou, durante a banca, do impacto do trabalho na saúde do estado. “Esse trabalho tem que trazer o conhecimento para fazer uma intervenção para que o Acre seja o primeiro estado a garantir 100% de cobertura na prevenção do câncer ginecológico, mudando a história das faixas de risco. É muito pouco tempo em que estamos fazendo essa intervenção real pela saúde da mulher. Foram muitos anos que as mulheres ficaram abandonadas em termos de saúde pública, sem direito à defesa mínima”, declarou. No Brasil, houveram no último ano 4500 mortes por câncer de colo de útero e mais de 15000 mulheres afetadas.

O segundo trabalho do dia foi da fisioterapeuta e servidora pública da Sesacre, Franciely Gomes. O tema, estudo sobre a reincidência da hanseníase, mostra o trabalho realizado pelo Acre ao longo dos anos para diminuição dessa doença, com a queda de 98% de novos casos. Porém, a pesquisadora busca um modelo para ação efetiva de casos de volta da manifestação da doença mesmo após o tratamento e cura, seja por ineficiência dos medicamentos ou por fortalecimento da bactéria.

“Nós, da dermatologia, temos uma satisfação imensa de ter um governo tão sensível a essa causa. O Acre ganha muito com a iniciativa do governador Tião Viana a esse projeto, teremos futuramente 40 pesquisadores fazendo estudos no estado e contribuindo, cada um em sua área, para melhorar cada vez mais os indicadores de saúde. Esse é o presente que podemos dar em troca desse reconhecimento e oportunidade que estamos tendo, muito obrigada”, declarou, emocionada, Franciely. Ela, durante a pesquisa, pôde aplicar de forma efetiva em um paciente parte do que estava estudando, tendo assim um estímulo a mais para sua conclusão.

Fonte : Agência GovAc